Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 8: Tratamento Intervencionista

Dra. Fernanda Tessari

A valvoplastia mitral por cateter balão (VMCB) é o tratamento intervencionista de primeira linha para estenose mitral reumática quando há fusão comissural e anatomia favorável, tipicamente avaliada pelo escore ecocardiográfico de Wilkins-Block: escores ≤ 8 tipicamente com baixo grau de calcificação e comprometimento subvalvar limitado (escore ≤ 2) são indicativos de sucesso do procedimento.  

As contraindicações maiores para VMCB incluem trombo em átrio esquerdo e insuficiência mitral moderada a importante. Quando presentes, o risco de embolização e de piora hemodinâmica por agravamento da insuficiência mitral torna a estratégia percutânea inadequada. Além disso, calcificação importante e anatomia claramente desfavorável reduzem a probabilidade de ganho efetivo e aumentam complicações, devendo direcionar a conduta para a modalidade cirúrgica. Exceção deve-se fazer à presença de trombo em átrio esquerdo: nesse caso, é possível tentar a anticoagulação antes de uma nova tentativa, em casos não urgentes. 

A cirurgia é a estratégia padrão nos cenários de falha ou inviabilidade do balão, incluindo: estenose mitral reumática sintomática (CF NYHA III-IV) com contraindicação à VMCB e situações em que exista indicação concomitante de cirurgia cardíaca por outra valvopatia ou por revascularização miocárdica. Na estenose mitral reumática, além da troca valvar (técnica preferencial na maioria dos casos), pode-se considerar a comissurotomia cirúrgica, especialmente se ausência de insuficiência mitral significativa, valva preservável e com aparato subvalvar pouco acometimento, além de calcificação pouco extensa. Na estenose mitral degenerativa calcífica, a VMCB não é aplicável e a cirurgia é considerada em casos sintomáticos refratários ao tratamento clínico após discussão em Heart Team. 

As terapias transcateter em posição mitral (TMVR) entram como alternativas para pacientes selecionados, tipicamente com alto risco cirúrgico, após discussão em Heart Team e planejamento anatômico detalhado. Três cenários devem ser distinguidos: mitral valve-in-valve (MViV), implante dentro de bioprótese mitral cirúrgica degenerada; mitral valve-in-ring (MViR), implante dentro de anel de anuloplastia com falha de plastia; e valve-in-MAC (ViMAC), implante em valva mitral nativa com calcificação anular mitral importante. Em termos de previsibilidade e desfechos, MViV tende a apresentar melhores resultados do que MViR e ViMAC, refletindo maior estabilidade de ancoragem e menor complexidade geométrica.  

O ponto técnico central no planejamento do TMVR é a avaliação por tomografia computadorizada do risco de obstrução de via de saída do ventrículo esquerdo (estimativa da neo-VSVE). Em anatomias de alto risco, estratégias de mitigação podem ser consideradas em centros experientes, incluindo a técnica Lampoon, por exemplo, de forma adjuvante ao implante, com o objetivo de reduzir o risco dessa complicação. 

O risco de outras complicações como embolização de prótese e leask paravalvar também deve ser levado em consideração, sendo mais frequentes no ViMAC. Dessa forma, a indicação de tais procedimentos implica em discussão com Heart Team especializado e apenas para casos selecionados.  

 

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O tratamento da estenose mitral é definido pela gravidade anatômica, sintomas e etiologia. Para a causa reumática, a valvoplastia por cateter balão é a primeira escolha, desde que o Escore de Wilkins-Block seja favorável e não existam trombos ou insuficiência mitral moderada ou importante associada.

Quando o tratamento percutâneo não é viável, indica-se a cirurgia, geralmente troca valvar. A escolha entre prótese biológica ou mecânica depende, entre outros fatores, da idade, desejo de gestação e tolerância à anticoagulação.

Já em pacientes de alto risco cirúrgico, surgem as terapias transcateter, que exigem planejamento rigoroso, sendo o principal risco associado a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

A Dra. Fernanda C. Tessari explica todos os detalhes do tratamento intervencionista neste que é o oitavo e último episódio da série Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral.

 

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 7: Tratamento medicamentoso

Dr. Antonio Nascimento

A causa mais comum de estenose mitral, especialmente no Brasil, ainda é a febre reumática e o manejo farmacológico desta valvopatia visa principalmente o controle dos sintomas e a prevenção de complicações. 

Uma das principais estratégias para o tratamento medicamentoso é o controle da frequência cardíaca, que pode ser feito com betabloqueadores como carvedilol, metoprolol, atenolol que são frequentemente medicações de primeira linha, prolongando o tempo de enchimento diastólico do ventrículo esquerdo, permitindo um maior fluxo de sangue pela válvula mitral e, consequentemente aliviando a congestão pulmonar e dispneia. Alternativamente ou em associação, temos os bloqueadores dos canais de cálcio (não dihidropiridínicos), como diltiazem, verapamil, ou ainda medicamentos como digoxina e ivabradina, que também reduzem a frequência cardíaca e podem melhorar o enchimento ventricular

Para o manejo dos sintomas congestivos como dispneia, ortopneia, edema de membros inferiores, os diuréticos como furosemida, hidroclorotiazida, espironolactona são essenciais, reduzindo a congestão pulmonar e os sintomas de insuficiência cardíaca, diminuindo a pré-carga e consequentemente aliviando a pressão nas câmaras cardíacas e circulação venocapilar pulmonar.

Outro ponto importante envolve a prevenção de complicações tromboembólicas e manejo da anticoagulação, particularmente em portadores de estenose mitral moderada a importante, frequentemente associados a fibrilação atrial. Como uma boa parte das publicações excluíram os portadores de valvopatias, muitos dados ainda são escassos.  

Dessa forma, as diretrizes mais recentes têm explorado o uso dos Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs), mas ainda com cautela na estenose mitral de causa reumática, onde os Antagonistas da Vitamina K (AVKs) ainda são preferidos devido à maior experiência e evidência de eficácia nessa população. Nesse contexto, o estudo INVICTUS, publicado em 2022, demonstrou que a terapia com AVK é superior a rivaroxabana para pacientes com fibrilação atrial associada a estenose mitral reumática, em termos de redução de eventos cardiovasculares ou morte, não demonstrando evidências de um aumento no risco de sangramento com os AVK. 

Ainda dentro do espectro do tratamento da estenose mitral, a febre reumática e sua profilaxia merecem destaque, uma vez que a doença reumática gera grandes custos ao Sistema Único de Saúde e para a população, ao acometer indivíduos muito jovens, resultando com múltiplas internações. Sendo assim, a profilaxia primária com a Penicilina G benzatina, tem um papel importante na redução da incidência, ao impedir que indivíduos susceptíveis venham a contrair a doença. Já para as pacientes que tiveram a febre reumática, está indicado a profilaxia secundária também com o uso dessa medicação, com doses que variam para crianças e adultos e quanto ao tempo de duração do tratamento. 

Por fim, uma entidade à parte da estenose mitral, corresponde à etiologia degenerativa, cujo tratamento inicial de escolha é clinico, com controle da frequência e congestão, reservando-se a possibilidade de intervenção cirúrgica ou transcateter para os casos refratários.

  1. Otto CM, Nishimura RA, Bonow RO, Carabello BA, Erwin JP 3rd, Gentile F, et al. 2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2021;143(14):e72-e228.
  2. Tarasoutchi F, Montera MW, Ramos AIO, Sampaio RO, Rosa VEE, Accorsi TAD, et al. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020; 115(4):720-775.
  3. Vahanian A, Beyersdorf F, Praz F, Milojevic M, Baldus S, Bauersachs J, et al. 2021 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease: Developed by the Task Force for the management of valvular heart disease of the European Society of Cardiology (ESC) and the European Association for Cardio-Thoracic Surgery (EACTS). Eur Heart J. 2022;43(7):561-632.
  4. Connolly, S. J., Karthikeyan, G., Ntsekhe, M., Haileamlak, A., El Sayed, A., El Ghamrawy, A., … & INVICTUS Investigators. (2022). Rivaroxaban for rheumatic heart disease-associated atrial fibrillation. New England Journal of Medicine, 387(11), 978-988.

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No sétimo episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, o Dr. Antonio Nascimento explica quais são as opções de tratamento medicamentoso para a patologia.

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 6: quando indicar a intervenção

Dra. Flavia Girard

Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, a principal causa de estenose mitral é a
etiologia reumática. Já nos países desenvolvidos, predomina a forma degenerativa,
caracterizada por calcificação importante do anel mitral em pacientes idosos.
A ecocardiografia é fundamental para identificar a causa da estenose mitral, pois a etiologia
determina as opções de tratamento. Os critérios ecocardiográficos que definem estenose
mitral anatomicamente importante são: área valvar ≤ 1,5 cm² e gradiente transvalvar médio
diastólico ≥ 10 mmHg.

Quando há dúvida sobre a gravidade da estenose mitral, alguns exames complementares
podem ajudar na elucidação diagnóstica. O ecocardiograma transesofágico (ETE) é útil para
melhor avaliar a anatomia valvar e descartar trombos no átrio esquerdo. O estudo
hemodinâmico invasivo pode ser empregado quando persistirem dúvidas quanto ao
gradiente diastólico mitral. Já o teste ergométrico ou o ecocardiograma sob estresse é
indicado para pacientes com sintomas incertos ou discrepantes, permitindo avaliar o
comportamento do gradiente mitral e das pressões pulmonares durante o exercício.
O comprometimento reumático da valva mitral pode ser avaliado pelo escore de
Wilkins-Block, que analisa quatro aspectos morfológicos: mobilidade, espessamento das
cúspides, calcificação e acometimento subvalvar. Cada item recebe pontuação de 1 a 4,
com total variando de 4 a 16.

A valvoplastia mitral por cateter-balão (VMCB) é o tratamento de escolha para pacientes
com estenose mitral reumática anatomicamente importante que apresentam sintomas
(NYHA ≥ II) ou complicadores, como fibrilação atrial recente por remodelamento do átrio
esquerdo, ou hipertensão pulmonar ≥ 50 mmHg em repouso ou ≥ 60 mmHg ao esforço.
A VMCB só pode ser realizada em pacientes com escore de Wilkins-Block ≤ 8, desde que a
pontuação para calcificação e acometimento subvalvar seja até 2, o que prediz um maior
sucesso do procedimento. A VMCB é contraindicada na presença de trombo no átrio
esquerdo, evento embólico recente ou insuficiência mitral moderada ou importante. Em
gestantes ou pacientes de alto risco cirúrgico, a VMCB pode ser considerada com escore
até 10, desde que os itens de calcificação e subvalvar permaneçam até 2.
Quando há reestenose sintomática após a VMCB, a reintervenção costuma ser substituição
valvar cirúrgica. Entretanto, uma nova VMCB pode ser considerada se não houver
contraindicações e se o mecanismo da reestenose for principalmente a refusão comissural.
Quando a VMCB é contraindicada, a cirurgia convencional (troca valvar ou comissurotomia)
é indicada apenas para pacientes com estenose mitral reumática anatomicamente
importante e sintomas NYHA ≥ III. É importante ressaltar que a melhora de classe funcional
com o uso de medicações que reduzem a sobrecarga de volume e a frequência cardíaca
(diuréticos, betabloqueadores, digoxina, bloqueadores dos canais de cálcio não
diidropiridínicos e ivabradina) não deve atrasar a indicação de intervenção. Destaca-se
que a estenose mitral é a única valvopatia cuja indicação cirúrgica exige sintomas mais
avançados (CF III). A intervenção também é indicada na presença dos mesmos
complicadores citados anteriormente: fibrilação atrial recente ou sinais de hipertensão
pulmonar.

Por outro lado, na estenose mitral de origem calcífica — mais prevalente em idosos,
geralmente com múltiplas comorbidades e outras valvopatias — o cenário é diferente e as
indicações de intervenção são bem mais restritas.

Em pacientes com estenose mitral calcífica, anatomicamente significativa, sintomáticos e
sem resposta ao tratamento farmacológico, a substituição valvar convencional pode ser
considerada, preferencialmente após discussão em Heart Team. Trata-se de um
procedimento tecnicamente complexo. Muitas vezes é necessária extensa descalcificação
do anel, que pode atingir os folhetos e o aparelho subvalvar, frequentemente associada à
insuficiência mitral. A disjunção átrio-ventricular é uma das complicações intraoperatórias
mais graves, com mortalidade extremamente elevada, frequentemente ainda durante o ato
cirúrgico.

Por isso, a substituição valvar na estenose mitral degenerativa deve ser realizada apenas
em centros altamente experientes. A avaliação pelo Heart Team é essencial para evitar
intervenções fúteis, já que a mortalidade após o procedimento permanece alta, entre 10% e
30% no primeiro ano.

A abordagem transcateter, chamada Valve-in-MAC (Mitral Annular Calcification), vem sendo
estudada, mas os resultados ainda são pouco promissores e faltam evidências de ensaios
clínicos randomizados.

Fontes:

  1. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020
  2. 2025 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease

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No sexto episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, a Dra. Flavia Girard explica quando é indicado o tratamento intervencionista.

 

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 5: estudo hemodinâmico invasivo

Dra. Mariana Pezzute Lopes

Estenose Mitral e o Papel do Cateterismo Direito

A estenose mitral permanece uma das valvopatias mais relevantes no cenário brasileiro, especialmente devido à alta prevalência de febre reumática. Apesar do ecocardiograma continuar sendo o exame de escolha para o diagnóstico inicial, o cateterismo cardíaco direito assume papel fundamental quando há incerteza sobre a gravidade funcional, discrepância entre sintomas e achados ecocardiográficos ou suspeita de hipertensão pulmonar significativa com necessidade de uma melhor avaliação diagnóstica e prognóstica.

Quando o Cateterismo Direito é Indicado?

  • Sintomas desproporcionais ao grau de estenose avaliado pelo ecocardiograma.
  • Discordância entre área valvar mitral e gradiente médio.
  • Avaliação de hipertensão pulmonar
  • Preparação para intervenção em pacientes limítrofes

Marcadores Hemodinâmicos Importantes:
O estudo hemodinâmico invasivo permite medir de forma direta variáveis essenciais:

  • Pressão capilar pulmonar (PCP) determinada pela pressão de oclusão da artéria pulmonar: é considerada elevada quando maior ou igual a 15mmHg
  • Gradiente transmitral invasivo (gradiente entre a capilar pulmonar e a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo- PD2) se maior ou igual a 10mmHg sugere estenose mitral importante
  • Débito cardíaco (DC)
  • Hipertensão pulmonar: definida pela pressão arterial pulmonar média (PAPm) acima de 20mmHg
  • Resistência vascular pulmonar (RVP) calculada pelo gradiente transpulmonar (PAPm menos PCP) dividido pelo débito cardíaco. RVP maior que 2 Wood sugere componente pré capilar combinado.


Em alguns casos, para pacientes hipovolêmicos e/ou bradicárdicos, pode ser indicada a prova com atropina e expansão volêmica. Sugere-se fazer 0,5-1mg de atropina endovenosa e soro fisiológico 500-1000ml visando evitar que o gradiente transvalvar mitral tenha um resultado falsamente baixo. 

Através da prova de atropina e volume o paciente portador de estenose mitral importante apresentará aumento significativo do fluxo valvar mitral e, pelo aumento da frequência cardíaca, terá menos tempo diastólico para enchimento ventricular, aumentando a pressão capilar pulmonar por congestão retrógrada,  sem aumento concomitante da PD2. Consequentemente, este paciente passará a ter um gradiente transmitral maior ou igual a 10mmHg (o que não aconteceria no paciente sem estenose mitral significativa). 

Além disso, em alguns casos, a presença de  uma resistência vascular pulmonar maior do que 2 Wood pode indicar componente pré-capilar associado à congestão venocapilar pulmonar, ou seja indica a presença de vasculopatia pulmonar combinada. Tais pacientes irão apresentar melhora da hipertensão pulmonar após a intervenção valvar, porém sem resolução total, e com maior risco cirúrgico e pior prognóstico a longo prazo..

Segue figura representativa (Grossman, 1986) esquematizando um estudo hemodinâmico invasivo de um paciente com pressão capilar pulmonar elevada (25mmHg), pressão diastólica final de 5mmHg, revelando um gradiente transvalvar mitral de 20mmHg (>10mmHg), confirmando o diagnóstico de estenose mitral importante. O exame também revela a presença de hipertensão pulmonar, demonstrada por uma pressão arterial pulmonar média acima de 20 mmHg (32 mmHg) e um gradiente transpulmonar baixo (32 menos 25= 7mmHg) permitindo inferir uma resistência vascular pulmonar baixa (< 2 Wood, considerando um débito cardíaco normal).

Podemos dizer que o cateterismo direito não é apenas complementar ao ecocardiograma, mas sim uma ferramenta decisiva para compreender completamente a fisiologia, gravidade e prognóstico da estenose mitral.  O uso adequado dessa ferramenta permite intervenção mais precoce, redução de riscos e tomada de decisão baseada em parâmetros objetivos.

 

Referências: 

  1. ESC/EACTS Guidelines for the Management of Valvular Heart Disease, 2025.
  2. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Valvopatias, 2020.
  3. Grossman W. Hemodynamics in Mitral Stenosis. 1986.
  4. Humbert M et al. European Heart Journal (2022) 43, 3618–373.

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No quinto episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, a Dra. Mariana Pezzute Lopes explica o estudo hemodinâmico invasivo, o cateterismo direito, para detecção e diagnóstico da patologia. 

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 4: como fazer o diagnóstico ecocardiográfico

Maicon Felipe Ribeiro da Cruz

A estenose mitral é uma doença que se caracteriza por estreitamento do orifício valvar, que em adultos normais pode variar de 4 a 6 cm2. Em adultos, a etiologia da estenose mitral é em grande parte decorrente de cardiopatia reumática. Muitos pacientes com estenose mitral reumática não têm história conhecida de febre reumática, mas a morfologia da valva vista ao exame ecocardiográfico permite o estabelecimento de um diagnóstico de febre reumática antecedente. Outras causas menos comuns de estenose mitral incluem a calcificação do anel mitral, observada principalmente em pacientes idosos, a origem congênita (como a válvula mitral em “paraquedas”), o lupus eritematoso sistêmico e a doença carcinoide.

Os aspectos característicos da estenose mitral de origem reumática, à ecocardiografia bidimensional, incluem fusão comissural, espessamento e calcificação das cúspides valvares e do aparelho subvalvar. Observa-se também a típica abertura em “domo” ou “bastão de hóquei” (Figura 1) da cúspide anterior da valva mitral durante a diástole, especialmente nos cortes paraesternal longitudinal e apical. O átrio esquerdo geralmente encontra-se aumentado. No plano transversal, ao se visualizar a valva mitral de frente, é comum identificar o aspecto característico de abertura em “boca de peixe”.

Figura 1 – Janela paraesternal eixo longo ilustrando a cúspide anterior mitral (a) em aspecto de bastão de hóquei (b). 

Vale ressaltar que em pacientes com estenose importante, principalmente aqueles candidatos à valvoplastia por cateter-balão, deve-se sempre descrever os critérios ecocardiográficos de Wilkins-Block. Esse escore avalia o grau de lesão imposta pela agressão reumática à valva mitral, por meio da avaliação ecocardiográfica com ênfase na descrição dos aspectos estruturais. São considerados quatro parâmetros: mobilidade dos folhetos, espessamento valvar, grau de calcificação e acometimento do aparato subvalvar. Cada item recebe uma pontuação de 1 a 4, resultando em um escore total que pode variar de 4 a 16 pontos. Pacientes com escore de Wilkins-Block igual ou inferior a 8 são considerados bons candidatos à valvoplastia mitral por cateter balão, desde que não haja outras contraindicações.

Em relação à quantificação da gravidade da estenose mitral, a área valvar pode ser aferida por meio da planimetria (Figura 2) da circunferência interna da valva, no plano paraesternal transversal, no ponto de abertura máxima das cúspides, durante a diástole média. Esse método é o mais recomendado para estimar a área da valva mitral, embora apresente limitações em pacientes com valvas intensamente calcificadas ou que já tenham sido submetidos previamente à comissurotomia.

Figura 2 – Janela paraesternal eixo curto ilustrando a planimetria de uma valva mitral estenótica (no exemplo com área de 0,73cm2)

Uma alternativa para a medida da área valvar é a avaliação hemodinâmica pelo Doppler contínuo, que quantifica a estenose por métodos como tempo de meia pressão (conforme a fórmula, área valvar mitral em cm2 = 220/PHT) ou pela equação de continuidade. Conforme as atualizações da diretriz brasileira de valvopatias de 2020, classifica-se como estenose mitral anatomicamente importante aquela com área valvar menor que 1,5cm2 e/ou gradiente diastólico maior ou igual a 10mmHg.

É pertinente destacar que a ecocardiografia permanece como o método preferencial para a avaliação de pacientes com estenose mitral. No entanto, é importante ressaltar que alterações no tempo diastólico ou no estado volêmico podem influenciar o gradiente transvalvar mitral, dificultando a análise precisa da gravidade da estenose. Dessa forma, torna-se necessária uma estreita correlação com a avaliação clínica, considerando complicadores como a fibrilação atrial de início recente e hipertensão pulmonar e, quando indicado, a complementação com outros exames, incluindo o estudo hemodinâmico invasivo.

Referências:

1 – ARMSTRONG, William F.; RYAN, Thomas. Feigenbaum – Ecocardiografia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. ISBN 978-85-277-1842-4.

2 – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 115, n. 4, p. 720–775, 2020. DOI: 10.36660/abc.20201047. Disponível em: https://abccardiol.org/article/atualizacao-das-diretrizes-brasileiras-de-valvopatias-2020/

3 – MATHIAS JR., Wilson. Manual de ecocardiografia. 3. ed. São Paulo: Manole Saúde, 2013. ISBN 978-85-204-3700-1.

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No quarto episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, o Dr. Maicon Cruz explica como fazer o diagnóstico ecocardiográfico da patologia.

Fundamentos em doenças valvares – Tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 3: raio-x de tórax e eletrocardiograma

Dr. Renato Nemoto

A estenose mitral, como visto nos últimos posts, gera uma sobrecarga inicialmente no átrio esquerdo, e mais tardiamente nas câmaras direitas. Isso será repercutido nos exames complementares.

    No Raio X de tórax, o átrio esquerdo está geralmente localizado posteriormente ao átrio direito, sendo então não visível. Contudo, quando aumenta de tamanho, alguns sinais podem ser visualizados:

    - sinal do duplo contorno:  uma segunda sombra hipotransparente pode aparecer na margem direita do contorno cardíaco, sendo visualizadas então a sombra dos átrios direito e esquerdo.

    - medida do ponto médio do brônquio esquerdo até a borda do átrio esquerdo (caso haja sinal duplo contorno) maior de 7cm

    - sinal da bailarina: elevação e horizontalização mais acentuada do brônquio esquerdo (que já é mais horizontal do que o direito), gerando um ângulo entre os brônquios maior de 90º. Quando visualizado no perfil, é chamado de sinal do homem andando

– sinal do 4º arco: normalmente há a visualização de 3 arcos no hemitórax esquerdo, o botão aórtico, a artéria pulmonar e o ventrículo esquerdo. Com o aumento do átrio esquerdo, esse gera uma convexidade adicional. 

    No eletrocardiograma, os sinais do aumento do átrio esquerdo são:

    - Índice de Morris: porção negativa da onda P em V1 com duração maior de 40ms e amplitude maior de 1mm (área de 1 “quadradinho”).

    -  Onda P bífida, com duração total > 110 ms

    Já o aumento do átrio direito no ECG pode ser visualizado pelo aumento da amplitude da onda P aumentada, maior de 2,5mm.

    Quando há sobrecarga tanto do átrio esquerdo quanto das câmaras direitas, esses achados podem ser concomitantes, com o eixo elétrico do coração desviado pela direita também.

 

Referências:

https://radiopaedia.org/articles/left-atrial-enlargement

https://aprendaecg.com.br/morris/

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No terceiro episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, o Dr. Renato Nemoto explica quais os achados da condição nos exames de raio-x e eletrocardiograma.

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 2: sinais, sintomas e exame físico

Dra. Mariana Pezzutte Lopes

Estenose Mitral: sinais, sintomas exame físico


A estenose mitral (EMi) é uma valvopatia de evolução lenta e progressiva, na maioria das vezes consequência da febre reumática. A obstrução ao fluxo de enchimento do ventrículo esquerdo leva à elevação da pressão no átrio esquerdo, hipertensão pulmonar e, nas fases tardias, disfunção de ventrículo direito.

SINAIS E SINTOMAS
O quadro clínico reflete as alterações hemodinâmicas provocadas pela valva estenosada.

Dispneia
É o sintoma mais precoce e frequente decorrente do aumento da pressão venocapilar pulmonar. Manifesta-se inicialmente aos esforços, podendo evoluir para dispneia paroxística noturna e ortopnéia. Situações que aumentam o fluxo através da valva mitral ou reduzem o tempo de enchimento ventricular — como gravidez, fibrilação atrial, exercício, hipertireoidismo e infecção — precipitam ou agravam os sintomas.
Tosse seca e hemoptise podem ocorrer por congestão pulmonar e ruptura de pequenas veias brônquicas.

Dor torácica
Não é típica, presente em menos de 15% dos pacientes e, quando ocorre, costuma estar relacionada à hipertensão pulmonar severa e à sobrecarga do ventrículo direito.

Palpitações
Decorrentes, em geral, de fibrilação atrial (FA) — arritmia que se correlaciona com a idade e a gravidade da estenose. A dilatação do átrio esquerdo e a fibrose atrial favorecem o aparecimento da FA, com redução de até 20% do débito cardíaco e piora acentuada dos sintomas.

Fenômenos embólicos
Até 20% dos casos podem apresentar eventos embólicos sistêmicos, mesmo em ritmo sinusal.  O átrio esquerdo dilatado favorece a estase sanguínea e a formação de trombos, especialmente em pacientes com episódios de FA paroxística. A estenose mitral é, portanto, uma condição de altíssimo risco tromboembólico, com mecanismo distinto de outras formas de FA, pois o trombo pode se formar fora do apêndice atrial esquerdo, em decorrência da estase global da cavidade.

Síndrome de Ortner (Cardiovocal)
Rara, mas clássica. Resulta da compressão do nervo laríngeo recorrente pelo átrio esquerdo dilatado, causando rouquidão e disfonia.

EXAME FÍSICO
O exame físico permanece uma ferramenta valiosa no diagnóstico clínico da estenose mitral, permitindo estimar a gravidade da obstrução valvar.

Bulha B1 hiperfonética
A primeira bulha é acentuada devido ao fechamento vigoroso das cúspides mitrais ainda flexíveis. Com a progressão da doença, a calcificação e imobilidade reduzem sua intensidade.

Estalido de abertura
Som de alta frequência que ocorre após a segunda bulha (B2), resultante do súbito tensionamento das cúspides mitrais ao abrir-se para o enchimento ventricular.
Quanto mais próximo da B2 estiver o estalido, mais grave é a estenose.


Sopro diastólico em ruflar
De baixa frequência, melhor audível com a campânula do estetoscópio no foco mitral (5º espaço intercostal esquerdo, em decúbito lateral).
A intensidade não se correlaciona com a gravidade, mas com a duração do sopro.
O reforço pré-sistólico está presente em ritmo sinusal e desaparece com FA.

Achados associados
– Hiperfonese de P2, quando há hipertensão pulmonar. 
– Sopro de insuficiência tricúspide funcional, regurgitativo, que aumenta com a inspiração (manobra de Rivero-Carvallo). 
– Sopro de Graham Steell, aspirativo, indicativo de insuficiência pulmonar secundária à hipertensão pulmonar importante. 
– Em fases avançadas: ritmo irregular e sinais de insuficiência cardíaca direita (turgência jugular, hepatomegalia, edema). 

Importante: não se espera insuficiência cardíaca esquerda na estenose mitral pura.
Se presente, deve-se investigar outras causas associadas, como insuficiência mitral concomitante, acometimento aórtico, cardite reumática ativa, taquicardiomiopatia ou isquemia miocárdica.

Por fim, podemos dizer que o reconhecimento dos sinais e sintomas da estenose mitral continua sendo essencial para o diagnóstico precoce e o manejo adequado.
Apesar dos avanços em métodos de imagem, a anamnese detalhada e o exame físico criterioso ainda fornecem pistas fundamentais sobre a gravidade da doença e o momento ideal de intervenção.

 

 

REFERÊNCIAS
– Diretriz Brasileira de Valvopatias – Arq Bras Cardiol. 2020;115(4):720–775.
– ESC/EACTS Guidelines for the Management of Valvular Heart Disease. Eur Heart J. 2021.

-Praz F, Borger MA, Lanz J, et al. 2025 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease. Eur Heart J. 2025;ehaf194.
– Otto CM, Bonow RO. Valvular Heart Disease. In: Braunwald’s Heart Disease, 12th ed.

 

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No segundo episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, a Dra. Mariana Pezzute Lopes explica quais são os sinais, sintomas e exames físicos realizados para fechar o diagnóstico da condição.

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 1: etiologia e fisiopatologia

Dra. Talita Mascarenhas

A estenose mitral é caracterizada pelo estreitamento progressivo do orifício mitral, levando à obstrução do fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo e a sua principal etiologia ainda é a febre reumática, mantendo alta prevalência em países em desenvolvimento, inclusive na população brasileira.  No Brasil, a doença reumática é responsável por mais de 90% dos casos de estenose mitral, causando elevada morbimortalidade em pacientes jovens e elevado número de cirurgias cardíacas, permanecendo como um importante problema de saúde pública. Outras causas podemos citar a etiologia degenerativa, através da calcificação do anel mitral, e causas raras como doenças reumatológicas e medicamentosas. 

A etiologia reumática acomete principalmente o sexo feminino, representando 2/3 dos pacientes. Os principais marcadores fisiopatológicos são a fusão comissural e o espessamento das bordas das cúspides. Na febre reumática aguda, ocorre inflamação e edema dos folhetos, com pequenos trombos de plaqueta e fibrina, gerando cicatrização e deformação da valva, com obliteração da arquitetura normal do folheto por fibrose, neovascularização e aumento da celularidade do colágeno e do tecido. Os corpos ou nódulos de Aschoff são marcas patológicas da etiologia reumática aguda, sendo observados com mais frequência no tecido miocárdico.  A evolução costuma ser lenta, com uma longa fase latente desde o diagnóstico inicial da febre reumática até o desenvolvimento da estenose mitral, porém, em alguns casos, também pode haver progressão rápida, possivelmente relacionado a repetidos surtos da febre reumática, levando a estenose grave e sintomática em adolescentes e adultos jovens. 

Atualmente, o número de pacientes portadores de estenose mitral de etiologia degenerativa tem crescido associado ao envelhecimento da população e é ocasionada por calcificação do anel mitral, em inglês Mitral Anullus Calcification – MAC, que pode se estender para a base dos folhetos valvares, gerando restrição para a movimentação das cúspides e para o esvaziamento atrial. É uma doença crônica que atinge predominantemente o segmento posterior do anel fibroso mitral, no qual ocorre aumento da atividade inflamatória e deposição local de cálcio. Esta etiologia é mais comum no sexo feminino e nos idosos, apresentando prevalência estimada de 10% na população idosa. Fatores de risco cardiovasculares, como estenose aórtica, hipertensão arterial, aterosclerose e doença renal crônica, estão relacionados com o surgimento desta patologia. Outras causas raras de estenose mitral incluem doenças reumatológicas (lúpus eritematoso sistêmico ou artrite reumatóide), doenças de depósito (como doença de Fabry), doença de Whipple, terapia com metisergida ou anorexígenos, síndrome carcinóide e alterações anatômicas congênitas da valva mitral, como valva mitral em paraquedas ou hipoplasia da valva mitral.

Em adultos normais, a área valvar mitral varia entre 4 a 6 cm2. A estenose é considerada anatomicamente importante quando a área é ≤1,5. O estreitamento do orifício mitral leva à obstrução do fluxo sanguíneo entre as câmaras esquerdas, gerando sobrecarga de pressão e aumento do gradiente transvalvar mitral. A pressão elevada no átrio esquerdo, por sua vez, eleva as pressões venosas e capilares pulmonares, causando hipertensão arterial pulmonar e aumento das pressões em câmaras direitas. Além disso, o aumento do átrio esquerdo e a estase sanguínea causada pela obstrução do fluxo estão associados a um maior risco de trombo e embolia sistêmica. A dispneia de esforço é um marco da sintomatologia da estenose mitral, sendo comum ser precipitada por taquicardia decorrente do exercício, gravidez, anemia, infecção ou fibrilação atrial, visto que todos aumentam a taxa de fluxo sanguíneo através do orifício mitral, aumentando a pressão no átrio esquerdo, diminuindo o tempo diastólico e reduzindo o débito cardíaco. A fibrilação atrial é frequente nesses pacientes e a sua prevalência é crescente conforme a idade. O ventrículo esquerdo costuma ser relativamente normal e o ecocardiograma é o método preferido para diagnóstico, avaliação da gravidade e consequências hemodinâmicas da estenose mitral. 

 

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Acabamos de lançar mais uma série exclusiva: Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral. No primeiro episódio, a Dra. Talita Mascarenhas conta quais são as etiologias e fisiopatologias da condição.