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Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 8: Tratamento Intervencionista

Dra. Fernanda Tessari

A valvoplastia mitral por cateter balão (VMCB) é o tratamento intervencionista de primeira linha para estenose mitral reumática quando há fusão comissural e anatomia favorável, tipicamente avaliada pelo escore ecocardiográfico de Wilkins-Block: escores ≤ 8 tipicamente com baixo grau de calcificação e comprometimento subvalvar limitado (escore ≤ 2) são indicativos de sucesso do procedimento.  

As contraindicações maiores para VMCB incluem trombo em átrio esquerdo e insuficiência mitral moderada a importante. Quando presentes, o risco de embolização e de piora hemodinâmica por agravamento da insuficiência mitral torna a estratégia percutânea inadequada. Além disso, calcificação importante e anatomia claramente desfavorável reduzem a probabilidade de ganho efetivo e aumentam complicações, devendo direcionar a conduta para a modalidade cirúrgica. Exceção deve-se fazer à presença de trombo em átrio esquerdo: nesse caso, é possível tentar a anticoagulação antes de uma nova tentativa, em casos não urgentes. 

A cirurgia é a estratégia padrão nos cenários de falha ou inviabilidade do balão, incluindo: estenose mitral reumática sintomática (CF NYHA III-IV) com contraindicação à VMCB e situações em que exista indicação concomitante de cirurgia cardíaca por outra valvopatia ou por revascularização miocárdica. Na estenose mitral reumática, além da troca valvar (técnica preferencial na maioria dos casos), pode-se considerar a comissurotomia cirúrgica, especialmente se ausência de insuficiência mitral significativa, valva preservável e com aparato subvalvar pouco acometimento, além de calcificação pouco extensa. Na estenose mitral degenerativa calcífica, a VMCB não é aplicável e a cirurgia é considerada em casos sintomáticos refratários ao tratamento clínico após discussão em Heart Team. 

As terapias transcateter em posição mitral (TMVR) entram como alternativas para pacientes selecionados, tipicamente com alto risco cirúrgico, após discussão em Heart Team e planejamento anatômico detalhado. Três cenários devem ser distinguidos: mitral valve-in-valve (MViV), implante dentro de bioprótese mitral cirúrgica degenerada; mitral valve-in-ring (MViR), implante dentro de anel de anuloplastia com falha de plastia; e valve-in-MAC (ViMAC), implante em valva mitral nativa com calcificação anular mitral importante. Em termos de previsibilidade e desfechos, MViV tende a apresentar melhores resultados do que MViR e ViMAC, refletindo maior estabilidade de ancoragem e menor complexidade geométrica.  

O ponto técnico central no planejamento do TMVR é a avaliação por tomografia computadorizada do risco de obstrução de via de saída do ventrículo esquerdo (estimativa da neo-VSVE). Em anatomias de alto risco, estratégias de mitigação podem ser consideradas em centros experientes, incluindo a técnica Lampoon, por exemplo, de forma adjuvante ao implante, com o objetivo de reduzir o risco dessa complicação. 

O risco de outras complicações como embolização de prótese e leask paravalvar também deve ser levado em consideração, sendo mais frequentes no ViMAC. Dessa forma, a indicação de tais procedimentos implica em discussão com Heart Team especializado e apenas para casos selecionados.  

 

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O tratamento da estenose mitral é definido pela gravidade anatômica, sintomas e etiologia. Para a causa reumática, a valvoplastia por cateter balão é a primeira escolha, desde que o Escore de Wilkins-Block seja favorável e não existam trombos ou insuficiência mitral moderada ou importante associada.

Quando o tratamento percutâneo não é viável, indica-se a cirurgia, geralmente troca valvar. A escolha entre prótese biológica ou mecânica depende, entre outros fatores, da idade, desejo de gestação e tolerância à anticoagulação.

Já em pacientes de alto risco cirúrgico, surgem as terapias transcateter, que exigem planejamento rigoroso, sendo o principal risco associado a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

A Dra. Fernanda C. Tessari explica todos os detalhes do tratamento intervencionista neste que é o oitavo e último episódio da série Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral.

 

tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral – Episódio 4: Como fazer o diagnóstico ecocardiográfico

 

No novo episódio do Podcast Triple I, o Dr. Maicon Cruz explica o papel estratégico do ecocardiograma no diagnóstico da estenose mitral.

O exame exige raciocínio clínico, método e integração com o contexto do paciente, tornando-se uma ferramenta central na avaliação.

Dr. Maicon ressalta a importância de seguir uma abordagem sistemática durante o exame; o cuidado na interpretação dos achados; e mostra o papel do ecocardiografista como protagonista na tomada de decisão.

🎧 Ouça e descubra como transformar o ecocardiograma em um instrumento estratégico na prática clínica.

O Triple I é um projeto idealizado pelo InCor HCFMUSP!

 

 

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 7: Tratamento medicamentoso

Dr. Antonio Nascimento

A causa mais comum de estenose mitral, especialmente no Brasil, ainda é a febre reumática e o manejo farmacológico desta valvopatia visa principalmente o controle dos sintomas e a prevenção de complicações. 

Uma das principais estratégias para o tratamento medicamentoso é o controle da frequência cardíaca, que pode ser feito com betabloqueadores como carvedilol, metoprolol, atenolol que são frequentemente medicações de primeira linha, prolongando o tempo de enchimento diastólico do ventrículo esquerdo, permitindo um maior fluxo de sangue pela válvula mitral e, consequentemente aliviando a congestão pulmonar e dispneia. Alternativamente ou em associação, temos os bloqueadores dos canais de cálcio (não dihidropiridínicos), como diltiazem, verapamil, ou ainda medicamentos como digoxina e ivabradina, que também reduzem a frequência cardíaca e podem melhorar o enchimento ventricular

Para o manejo dos sintomas congestivos como dispneia, ortopneia, edema de membros inferiores, os diuréticos como furosemida, hidroclorotiazida, espironolactona são essenciais, reduzindo a congestão pulmonar e os sintomas de insuficiência cardíaca, diminuindo a pré-carga e consequentemente aliviando a pressão nas câmaras cardíacas e circulação venocapilar pulmonar.

Outro ponto importante envolve a prevenção de complicações tromboembólicas e manejo da anticoagulação, particularmente em portadores de estenose mitral moderada a importante, frequentemente associados a fibrilação atrial. Como uma boa parte das publicações excluíram os portadores de valvopatias, muitos dados ainda são escassos.  

Dessa forma, as diretrizes mais recentes têm explorado o uso dos Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs), mas ainda com cautela na estenose mitral de causa reumática, onde os Antagonistas da Vitamina K (AVKs) ainda são preferidos devido à maior experiência e evidência de eficácia nessa população. Nesse contexto, o estudo INVICTUS, publicado em 2022, demonstrou que a terapia com AVK é superior a rivaroxabana para pacientes com fibrilação atrial associada a estenose mitral reumática, em termos de redução de eventos cardiovasculares ou morte, não demonstrando evidências de um aumento no risco de sangramento com os AVK. 

Ainda dentro do espectro do tratamento da estenose mitral, a febre reumática e sua profilaxia merecem destaque, uma vez que a doença reumática gera grandes custos ao Sistema Único de Saúde e para a população, ao acometer indivíduos muito jovens, resultando com múltiplas internações. Sendo assim, a profilaxia primária com a Penicilina G benzatina, tem um papel importante na redução da incidência, ao impedir que indivíduos susceptíveis venham a contrair a doença. Já para as pacientes que tiveram a febre reumática, está indicado a profilaxia secundária também com o uso dessa medicação, com doses que variam para crianças e adultos e quanto ao tempo de duração do tratamento. 

Por fim, uma entidade à parte da estenose mitral, corresponde à etiologia degenerativa, cujo tratamento inicial de escolha é clinico, com controle da frequência e congestão, reservando-se a possibilidade de intervenção cirúrgica ou transcateter para os casos refratários.

  1. Otto CM, Nishimura RA, Bonow RO, Carabello BA, Erwin JP 3rd, Gentile F, et al. 2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2021;143(14):e72-e228.
  2. Tarasoutchi F, Montera MW, Ramos AIO, Sampaio RO, Rosa VEE, Accorsi TAD, et al. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020; 115(4):720-775.
  3. Vahanian A, Beyersdorf F, Praz F, Milojevic M, Baldus S, Bauersachs J, et al. 2021 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease: Developed by the Task Force for the management of valvular heart disease of the European Society of Cardiology (ESC) and the European Association for Cardio-Thoracic Surgery (EACTS). Eur Heart J. 2022;43(7):561-632.
  4. Connolly, S. J., Karthikeyan, G., Ntsekhe, M., Haileamlak, A., El Sayed, A., El Ghamrawy, A., … & INVICTUS Investigators. (2022). Rivaroxaban for rheumatic heart disease-associated atrial fibrillation. New England Journal of Medicine, 387(11), 978-988.

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No sétimo episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, o Dr. Antonio Nascimento explica quais são as opções de tratamento medicamentoso para a patologia.

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 6: quando indicar a intervenção

Dra. Flavia Girard

Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, a principal causa de estenose mitral é a
etiologia reumática. Já nos países desenvolvidos, predomina a forma degenerativa,
caracterizada por calcificação importante do anel mitral em pacientes idosos.
A ecocardiografia é fundamental para identificar a causa da estenose mitral, pois a etiologia
determina as opções de tratamento. Os critérios ecocardiográficos que definem estenose
mitral anatomicamente importante são: área valvar ≤ 1,5 cm² e gradiente transvalvar médio
diastólico ≥ 10 mmHg.

Quando há dúvida sobre a gravidade da estenose mitral, alguns exames complementares
podem ajudar na elucidação diagnóstica. O ecocardiograma transesofágico (ETE) é útil para
melhor avaliar a anatomia valvar e descartar trombos no átrio esquerdo. O estudo
hemodinâmico invasivo pode ser empregado quando persistirem dúvidas quanto ao
gradiente diastólico mitral. Já o teste ergométrico ou o ecocardiograma sob estresse é
indicado para pacientes com sintomas incertos ou discrepantes, permitindo avaliar o
comportamento do gradiente mitral e das pressões pulmonares durante o exercício.
O comprometimento reumático da valva mitral pode ser avaliado pelo escore de
Wilkins-Block, que analisa quatro aspectos morfológicos: mobilidade, espessamento das
cúspides, calcificação e acometimento subvalvar. Cada item recebe pontuação de 1 a 4,
com total variando de 4 a 16.

A valvoplastia mitral por cateter-balão (VMCB) é o tratamento de escolha para pacientes
com estenose mitral reumática anatomicamente importante que apresentam sintomas
(NYHA ≥ II) ou complicadores, como fibrilação atrial recente por remodelamento do átrio
esquerdo, ou hipertensão pulmonar ≥ 50 mmHg em repouso ou ≥ 60 mmHg ao esforço.
A VMCB só pode ser realizada em pacientes com escore de Wilkins-Block ≤ 8, desde que a
pontuação para calcificação e acometimento subvalvar seja até 2, o que prediz um maior
sucesso do procedimento. A VMCB é contraindicada na presença de trombo no átrio
esquerdo, evento embólico recente ou insuficiência mitral moderada ou importante. Em
gestantes ou pacientes de alto risco cirúrgico, a VMCB pode ser considerada com escore
até 10, desde que os itens de calcificação e subvalvar permaneçam até 2.
Quando há reestenose sintomática após a VMCB, a reintervenção costuma ser substituição
valvar cirúrgica. Entretanto, uma nova VMCB pode ser considerada se não houver
contraindicações e se o mecanismo da reestenose for principalmente a refusão comissural.
Quando a VMCB é contraindicada, a cirurgia convencional (troca valvar ou comissurotomia)
é indicada apenas para pacientes com estenose mitral reumática anatomicamente
importante e sintomas NYHA ≥ III. É importante ressaltar que a melhora de classe funcional
com o uso de medicações que reduzem a sobrecarga de volume e a frequência cardíaca
(diuréticos, betabloqueadores, digoxina, bloqueadores dos canais de cálcio não
diidropiridínicos e ivabradina) não deve atrasar a indicação de intervenção. Destaca-se
que a estenose mitral é a única valvopatia cuja indicação cirúrgica exige sintomas mais
avançados (CF III). A intervenção também é indicada na presença dos mesmos
complicadores citados anteriormente: fibrilação atrial recente ou sinais de hipertensão
pulmonar.

Por outro lado, na estenose mitral de origem calcífica — mais prevalente em idosos,
geralmente com múltiplas comorbidades e outras valvopatias — o cenário é diferente e as
indicações de intervenção são bem mais restritas.

Em pacientes com estenose mitral calcífica, anatomicamente significativa, sintomáticos e
sem resposta ao tratamento farmacológico, a substituição valvar convencional pode ser
considerada, preferencialmente após discussão em Heart Team. Trata-se de um
procedimento tecnicamente complexo. Muitas vezes é necessária extensa descalcificação
do anel, que pode atingir os folhetos e o aparelho subvalvar, frequentemente associada à
insuficiência mitral. A disjunção átrio-ventricular é uma das complicações intraoperatórias
mais graves, com mortalidade extremamente elevada, frequentemente ainda durante o ato
cirúrgico.

Por isso, a substituição valvar na estenose mitral degenerativa deve ser realizada apenas
em centros altamente experientes. A avaliação pelo Heart Team é essencial para evitar
intervenções fúteis, já que a mortalidade após o procedimento permanece alta, entre 10% e
30% no primeiro ano.

A abordagem transcateter, chamada Valve-in-MAC (Mitral Annular Calcification), vem sendo
estudada, mas os resultados ainda são pouco promissores e faltam evidências de ensaios
clínicos randomizados.

Fontes:

  1. Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias – 2020
  2. 2025 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease

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No sexto episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, a Dra. Flavia Girard explica quando é indicado o tratamento intervencionista.

 

Anomalias das artérias coronárias

Neste episódio do Podcast Triple I, o Dr. Nilson Poppi fala sobre as anomalias das artérias coronárias.

 

Tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 2: raio-x do tórax e eletrocardiograma

Neste episódio do Podcast Triple I, o Dr. Renato Nemoto explica quais os achados da estenose mitral nos exames de raio-x e eletrocardiograma.

Este conteúdo faz parte da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, que já está com episódios disponíveis aqui na plataforma.

 

 

Tudo o que você precisa saber sobre complicações pós-infarto agudo do miocárdio – Episódio 1: Complicações mecânicas

No novo episódio do Podcast Triple I, o Dr. Cesar Augusto Caporrino fala sobre as complicações mecânicas pós-infarto agudo do miocárdio.

Este conteúdo faz parte da série “Fundamentos em Síndrome Coronária Aguda”, que está disponível na nossa plataforma.

 

Fundamentos em doenças valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral Episódio 5: estudo hemodinâmico invasivo

Dra. Mariana Pezzute Lopes

Estenose Mitral e o Papel do Cateterismo Direito

A estenose mitral permanece uma das valvopatias mais relevantes no cenário brasileiro, especialmente devido à alta prevalência de febre reumática. Apesar do ecocardiograma continuar sendo o exame de escolha para o diagnóstico inicial, o cateterismo cardíaco direito assume papel fundamental quando há incerteza sobre a gravidade funcional, discrepância entre sintomas e achados ecocardiográficos ou suspeita de hipertensão pulmonar significativa com necessidade de uma melhor avaliação diagnóstica e prognóstica.

Quando o Cateterismo Direito é Indicado?

  • Sintomas desproporcionais ao grau de estenose avaliado pelo ecocardiograma.
  • Discordância entre área valvar mitral e gradiente médio.
  • Avaliação de hipertensão pulmonar
  • Preparação para intervenção em pacientes limítrofes

Marcadores Hemodinâmicos Importantes:
O estudo hemodinâmico invasivo permite medir de forma direta variáveis essenciais:

  • Pressão capilar pulmonar (PCP) determinada pela pressão de oclusão da artéria pulmonar: é considerada elevada quando maior ou igual a 15mmHg
  • Gradiente transmitral invasivo (gradiente entre a capilar pulmonar e a pressão diastólica final do ventrículo esquerdo- PD2) se maior ou igual a 10mmHg sugere estenose mitral importante
  • Débito cardíaco (DC)
  • Hipertensão pulmonar: definida pela pressão arterial pulmonar média (PAPm) acima de 20mmHg
  • Resistência vascular pulmonar (RVP) calculada pelo gradiente transpulmonar (PAPm menos PCP) dividido pelo débito cardíaco. RVP maior que 2 Wood sugere componente pré capilar combinado.


Em alguns casos, para pacientes hipovolêmicos e/ou bradicárdicos, pode ser indicada a prova com atropina e expansão volêmica. Sugere-se fazer 0,5-1mg de atropina endovenosa e soro fisiológico 500-1000ml visando evitar que o gradiente transvalvar mitral tenha um resultado falsamente baixo. 

Através da prova de atropina e volume o paciente portador de estenose mitral importante apresentará aumento significativo do fluxo valvar mitral e, pelo aumento da frequência cardíaca, terá menos tempo diastólico para enchimento ventricular, aumentando a pressão capilar pulmonar por congestão retrógrada,  sem aumento concomitante da PD2. Consequentemente, este paciente passará a ter um gradiente transmitral maior ou igual a 10mmHg (o que não aconteceria no paciente sem estenose mitral significativa). 

Além disso, em alguns casos, a presença de  uma resistência vascular pulmonar maior do que 2 Wood pode indicar componente pré-capilar associado à congestão venocapilar pulmonar, ou seja indica a presença de vasculopatia pulmonar combinada. Tais pacientes irão apresentar melhora da hipertensão pulmonar após a intervenção valvar, porém sem resolução total, e com maior risco cirúrgico e pior prognóstico a longo prazo..

Segue figura representativa (Grossman, 1986) esquematizando um estudo hemodinâmico invasivo de um paciente com pressão capilar pulmonar elevada (25mmHg), pressão diastólica final de 5mmHg, revelando um gradiente transvalvar mitral de 20mmHg (>10mmHg), confirmando o diagnóstico de estenose mitral importante. O exame também revela a presença de hipertensão pulmonar, demonstrada por uma pressão arterial pulmonar média acima de 20 mmHg (32 mmHg) e um gradiente transpulmonar baixo (32 menos 25= 7mmHg) permitindo inferir uma resistência vascular pulmonar baixa (< 2 Wood, considerando um débito cardíaco normal).

Podemos dizer que o cateterismo direito não é apenas complementar ao ecocardiograma, mas sim uma ferramenta decisiva para compreender completamente a fisiologia, gravidade e prognóstico da estenose mitral.  O uso adequado dessa ferramenta permite intervenção mais precoce, redução de riscos e tomada de decisão baseada em parâmetros objetivos.

 

Referências: 

  1. ESC/EACTS Guidelines for the Management of Valvular Heart Disease, 2025.
  2. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Valvopatias, 2020.
  3. Grossman W. Hemodynamics in Mitral Stenosis. 1986.
  4. Humbert M et al. European Heart Journal (2022) 43, 3618–373.

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No quinto episódio da série Fundamentos em Doenças Valvares – tudo o que você precisa saber sobre estenose mitral, a Dra. Mariana Pezzute Lopes explica o estudo hemodinâmico invasivo, o cateterismo direito, para detecção e diagnóstico da patologia. 

Avaliação invasiva de microcirculação e doença coronariana não obstrutiva parte 2

No novo episódio do Podcast Triple I, Dr. Carlos Campos, Dra. Fabiana Hanna Rached, Dr. Pedro Guimarães e Dr. Thiago Abizaid dão continuidade ao bate-papo sobre avaliação invasiva de microcirculação e doença coronariana não obstrutiva (parte 2).

 

Avaliação invasiva de microcirculação e doença coronariana não obstrutiva parte 1

No novo episódio do Podcast Triple I, o Dr. Thiago Abizaid e o Dr. Rafael Bergo recebem o Dr. Pedro Guimarães para um bate-papo sobre avaliação invasiva de microcirculação e doença coronariana não obstrutiva (parte 1).