Estenose Mitral de baixo gradiente

Layara Fernanda Vicente Pereira Lipari | Vitor Emer Egypto Rosa

A estenose tricúspide é uma valvopatia rara, podendo ser de etiologia reumática (geralmente em apresentação multivalvar), ou outras etiologias menos comuns como síndrome carcinoide, congênita, endocardite infecciosa, associada a doenças reumatológicas como lúpus, lesão actínica pós-radioterapia, doenças de depósito (amiloidose, doença de Fabry) e doença de Whipple.

Diferente das valvopatias mitrais e aórticas, não se apresenta com dispneia (exceto no caso de outras valvopatias associadas), sendo o quadro clínico geralmente com astenia e fraqueza, podendo haver dor e edema em membros inferiores. A ausculta se assemelha à estenose mitral, com B1 hiperfonética, sopro diastólico em ruflar, com reforço pré-sistólico se paciente em ritmo sinusal, porém, melhor audível em borda esternal esquerda e com Rivero-Carvallo presente (aumento da intensidade do sopro com a inspiração profunda). Pode haver sinais de congestão sistêmica como estase jugular, hepatomegalia, ascite, edema de membros inferiores e sinal de Kussmaul (aumento do pulso venoso jugular, quando o paciente em questão realiza uma inspiração).

O ecocardiograma permite inferir a etiologia em alguns casos, bem como graduar a valvopatia. Os critérios ecocardiográficos de estenose tricúspide importante são:

  • Área valvar tricúspide ≤ 1,0 cm2
  • Gradiente diastólico médio átrio direito/ventrículo direito ≥ 5 mmHg
  • PHT tricúspide ≥ 190 ms
  • Aumento isolado de átrio direito

Outros exames podem ser úteis nos casos de dissociação clínico-ecocardiográfica, como a ressonância magnética e o cateterismo direito.

O tratamento está indicado nos casos de valvopatia importante sintomática ou com complicadores (fibrilação atrial e hepatopatia congestiva – avaliar função hepática e enzimas hepáticas). A valvoplastia por cateter-balão é o tratamento de escolha. Ela é contraindicada nos casos de refluxo tricuspídeo importante e na presença de trombo refratário à anticoagulação e/ou vegetação. Na impossibilidade de valvoplastia, deve ser optado por tratamento cirúrgico. Em caso de prótese valvar, deve ser utilizada prótese biológica sempre que possível pela alta trombogenicidade das próteses em posição tricúspide.

Fonte: Diretriz de Valvopatias 2020 SBC

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